miércoles, 8 de mayo de 2013

... O QUARTO 203 ...


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  A enfermeira abriu a porta, e, sem entrar completamente na sala de espera, olhou as três pessoas que aí se encontravam.

   O seu olhar parou sobre um homem, de uns 50 anos, que folheava um dos jornais de maneira visivelmente nervosa.

   --- Senhor Fernando Dominguez ?!!!

   Não houve reacção de ninguém.

   Pacientemente a enfermeira repetiu:

   --- Senhor Fernando Dominguez ?!!!

   Então o homem prestou atenção. Deixou o jornal e pôs-se de pé …

   --- … euuu! …

   --- Acompanhe-me, por favor, o Dr. Zafrón espera-o.

   Entrou e encontrou um homem de bata branca, presumivelmente o médico, olhando umas radiografias, olhando-as através da luz que entrava pelas janelas.

   Ficou de pé, esperando, nem ele sabia o quê …

   --- Ah! Senhor Fernando, sente-se, por favor.

   --- Obrigado, doutor.

    --- Estou aqui vendo os seus RX … é o pensávamos … a coisa não pinta muito bem … terá que ficar internado connosco … penso que já havíamos falado dessa possibilidade …

   --- Sim, doutor.

   --- Em todo o caso, pode que não seja assim tão grave.

   Fernando fez um ar de resignação.

   --- Enfermeira, onde podemos instalar o senhor Fernando?

   --- Agora mesmo … só temos livre o quarto 203 …

   O médico levantou os olhos dos papeis que consultava … olhou com ar sério a enfermeira … depois o paciente … fez um momento de pausa … depois recuperou o sorriso e voltou a olhar a Fernando.

   --- Pois … muito bem … instalamos-lo no quarto 203 … que sorte a sua, senhor Fernando … de momento vai ter um quarto só para si …

   Fernando tentou um sorriso … mas não lhe saiu … estava preocupado com a sua saúde … com o seu trabalho, que seguramente perderia … com a sua mulher e seus dois filhos, que não sabia quando voltaria a ver-los … que mais lhe dava um quarto ou outro …

   A enfermeira fez-lhe sinal para que a seguisse. Caminharam por um labirinto de corredores, subiram umas escadas e pararam diante de uma porta. Bem visível, um painel marcava o numero 203.

   A enfermeira hesitou um segundo … depois respirou fundo e abriu a porta.

   Fernando entrou pouco depois dela e encontrou um quarto amplo, com 4 camas vazias e impecavelmente feitas. Havia também uma grande janela por onde entrava a claridade daquele fim de tarde.

   --- Pode ficar com a cama que queira, senhor Fernando.

    --- Obrigado … virá mais alguém ocupar as outras, não?!

  A enfermeira perdeu o sorriso momentaneamente …

   --- É possível que sim … bem … tenho que ir-me … se necessitar alguma coisa … --- indicou-lhe uma corda pendente na parede.

   Fernando seguiu com os olhos aquela corda e viu que terminava num pequeno sino.

   --- Dentro de uma hora servirão o jantar e com ele as os seus medicamentos.

   Rapidamente deu meia volta e saiu.

   Só então Fernando abriu a mão onde trazia uma bolsa com os seus haveres. Olhou a sua volta … escolheu a cama que estava mais perto da janela, gostava de acordar pela manhã com os primeiros raios de sol.

   Sem tirar a roupa deitou-se sobre a cama, e, de cansado que estava, adormeceu em seguida.

 

 

 




  Dormiu um par de horas, quando acordou era já noite cerrada.

   Em cima de uma mesinha de cabeceira alguém tinha deixado um pouco de pão, uma tigela de caldo e uns comprimidos enormes.

   A verdade é que tinha fome. Sentou-se na cama e começou a comer.

   De quando em quando olhava pela janela … ao longe podia ver-se a silhueta das muralhas.

   Um som repentino fé-lo olhar para o outro lado do quarto.

   Era como se alguém estivesse respirando ali ao lado.

   Procurou nos bolsos das suas calças o pedernal com que acendia os candeeiros, em casa.

   --- Não se assuste … sou eu …

   A voz vinha da última cama … fechando um pouco os olhos pode adivinhar um vulto.

   --- Desculpe … adormeci e não dei conta que havia entrado …

  --- Sim. Estava dormido. Tranquilo. Eu no molesto. Adormeço rápido … e não ronco … eh eh eh …

   Fernando continuou a comer. Preferia ter companhia a estar ali solo.

   Depois de tomar os comprimidos sentiu uma sonolência incrível.

   Deitou-se e de novo adormeceu.

acompanhado da enfermeira.

   A luz do sol despertou-o. Olhou a outra cama, mas estava vazia. O seu companheiro já tinha saído.

   Abriu-se a porta e entrou o médico acompanhado da enfermeira.

   --- Como se sente, senhor Fernando? … --- o homem da bata branca olhava em todas as direcções.

   --- Penso que bem … acabo de despertar-me.

   --- Agora virá alguém com o pequeno almoço.

  --- Não posso descer para o pequeno almoço?!

   --- Senhor Fernando … aqui nada desce para comer … isto não é um hotel … o senhor está aqui para recuperar da sua saúde …

   --- Só perguntei porque pensava que o meu companheiro de habitação tinha ido comer.

   O médico olhou a enfermeira e automaticamente passou revista às outras camas … mas não havia nada de especial.

   --- Bem, senhor Fernando. Nós passaremos todas as manhãs para ver como vai a sua evolução.

   De novo ficou sozinho.

 

 

 




  Abriu a janela e inspirou aquele ar fresco que vinha do campo.

   --- Sabe bem respirar esse ar … não é verdade?

   Olhou para dentro … era o seu companheiro de habitação …

   --- Homem! … nunca dou conta da sua entrada.

   --- Normal … sempre está distraído … desculpe por assustá-lo … não era a minha intenção …

   --- Tudo bem. --- voltou a olhar para fora.

   Os dias foram-se arrastando. Fernando passava horas em longas conversações com o seu companheiro, que se via uma pessoa culta e muito educada. O tempo passava mais facilmente assim.

   Uma duas semanas depois o médico vinha acompanhado por outro homem de bom porte e aparentemente mais velho.

   --- Senhor Fernando, hoje acompanha-me D. António Barden, inspector de hospitais de sua Majestade, o Rei.

   Fernando saiu da cama.

  --- Não … não … por favor … o senhor deixe-se estar … está aqui para recuperar-se … --- a sua voz era pausada.

   Deu uma volta pela habitação e terminou sentando-se junto a Fernando.

  --- Doutor, vi todos os quartos e enfermarias aqui do Hospital de San Lázaro estão superlotadas … este é o único com um só paciente?

   --- De momento sim, inspector.

   --- Perdão … aqui estamos dois …

   O inspector pôs um ar intrigado e olhou o médico. Este aproximou-se:

   --- Vamos a ver, senhor Fernando. O senhor é o único paciente que tenho aqui neste quarto.

   --- Falo a sério, senhores. O meu companheiro dorme ali, naquela cama. É muito boa pessoa. Passamos horas conversando.

   Por detrás de Fernando o médico fazia movimentos de negação com a cabeça.

   --- E diga-me, senhor Fernando … como se chama o seu … companheiro de conversas?

   --- Agora que fala de isso … nunca lhe perguntei … e nunca me o disse.

   --- Pois pergunte-lhe como se chama … --- o inspector levantou-se --- depois conte-nos.

   --- Muito bem … assim farei.

 

 

 

 

 

  Aquela noite estava falando com o seu companheiro de quarto …

   --- Olhe uma coisa … faz semanas que falamos tanto tempos e nunca lhe perguntei o seu nome … eu sou Fernando Domingues.

   --- Tem razão … que indelicadeza a minha … eu chamo-me Juan … Juan Alarcán …

   --- É um prazer conhecê-lo, Juan … também não sei porque estás aqui … também pelos pulmões?

   Desta vez não obteve resposta.

   Olhou em direcção à cama do fundo … estava vazia.

   Com tinha saído. sem que se desse conta?!!!

   Essa noite teve dificuldade em adormecer. Pela manhã esperou com alguma ansiedade a entrada do médico.

   --- Bons dias, senhor Fernando, como estamos hoje?

   --- Doutor … já sei o nome …

   --- Do seu companheiro¿!

   --- Sim! Juan Alarcán.

   --- Juan Alarcán … Juan Alarcán … esse nome diz-me alguma coisa … e … onde está ele?

   --- Pois … foi-se ontem à noite, quando estávamos falando e ainda não voltou.

   --- Bem! Com certeza que voltará … bem .. nos vemos amanhã.

   Fernando ficou sozinho e um pouco confuso.

   Mas não teve que esperar pela manhã seguinte. Aquela mesma tarde o médico voltou, com o inspector.

   --- Senhor Fernando, tem a certeza de que o seu companheiro se chama Juan Alarcán?

   --- Nenhuma duvida, senhor … disse-me ele mesmo, conhecem-no?

   --- Não … senhor Fernando … nenhum de nós o conhece … mas aqui ao doutor, esse nome soava familiar e fomos procurar nos arquivos deste hospital.

   O inspector olho o médico e este seguiu …

   --- Juan Alarcán era professor de ciências na Universidade Real de Sevilha … contagiou-se com a peste e trouxeram-no a este hospital.

   O inspector deu dois passos até à cama do fundo …

   --- Esteve aqui … nesta cama …

   --- Não compreendo … ainda esta noite estive a falar com ele …

   --- Impossível … senhor Fernando … Juan Alarcán morreu … faz hoje exactamente 80 anos.




   Esta é uma das muitas histórias que se contam como passadas no Hospital de San Lázaro.

   Não é a primeira vez que as dramatizo … não será a ultima.

   Vos deixo o enlace que me serviu de base para esta história:


http://sevillaciudaddeembrujo.blogspot.com.es/2009/11/fantasmas-en-el-hospital-de-san-lazaro.html

 

 

 

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domingo, 21 de abril de 2013

... O HOMEM DO CRAVO VERMELHO - Sevilha ...


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   Juan olhava à sua volta … não se via nada … olhou o seu relogio … marcava as 4h da madrugada … eram horas de fechar.

   Trabalhara mais de 12 horas, mas isso não lhe importava … era uma semana por ano … todos os anos … gostava … mais que isso … esperava com inexplicavel emoção as datas da feira.

    Para ele era um previlégio exercer a sua profissão de vigilante na famosa Feira de Sevilha, mais ainda para ele que nascera numa das rua do mitico barrio de Triana.

   Juan passara já a barreira dos cinquenta e era considerado como um homem serio e muito profissional.

   Por isso a confraria de “LOS HERMANOS AUXILIADORES” chamavam-no para vigilante da sua caseta … e já o faziam há 4 anos consecutivos.

    Era o unico vigilante da caseta 588 … trabalhava todo o dia, só tinha um descanso entre as 9h e as 12h, período de menos gente e em que alguns dos confrades faziam turnos para substituir-lo.

    A sua função era manter a ordem dentro da caseta e controlar que só entrassem pessoas filiadas ou convidadas, e para isso tinha uma lista que sempre consultava.

    Nome que não constasse da lista … não entrava … seguramente.

 

 

 



   Era a madrugada de quarta-feira … oficialmente a feira fechava às tres … mas, ainda que se apagassem quase todas as muitas lampadas da iuminaçäo, alguns ficavam um par de minutos mais … sempre era assim.

   Correu o toldo … isso levava quase 15 minutos … tinha muitos atadilhos e não podia arriscar-se … a feira sempre chamava muita gente … muitos amigos do alheio …

   Dentro, tinha que confirmar que todos os aparatos estavam desligados, excepto, claro, a grande arca frigorifica.

   Estava junto à maquina de café quando de repente entou um homem alto, vestido de uma maneira fina, com um grande chapéu cordovés …

   Juan duvidou sobre o que devia fazer … por um momento pensou em intervenir … mas o homem mostrava conhocer muito bem o interior da caseta.

   Entrando dentro do balcão foi directo a uma estante e tirou uma garrafa de vinho.

   A garrafa nem sequer estava visível, já que se encontrava por detrás de outras duas garrafas de manzanilha.

    O homem sabia exactamente onde estava.

  Juan manteve-se quieto vendo como o individuo enchia um copo, que tambem tirou do seu sitio e se preparava para beber.

   Ao fazê-lo girou um pouco o corpo e o vigilante pode ver um cravo muito vermelho que trazia no seu casaco curto.

   Em menos de dez minutos o homem bebeu e saiu deixando a metade do vinho no copo … e este em cima do balcão.

   Juan não sabia o que pensar … a verdade é que o homem conhecia bem todo o interior da caseta.

   Em algum ponto deixaria aberto o toldo pelo que decidiu passar em revista essa tarefa.

   Mas … todo o toldo estava perfeitamente fechado … bem … não daria mais importancia ao assunto.

   Lavou o copo, colocou-o no seu sitio e saiu para o exterior.

 

 

 


    O dia seguinte foi dia forte de Feira. Ao contrário de outros anos, que quase sempre chovia, aquele tinha por principal convidado, o sol … e as temperaturas eram altas … nem parecia Abril nem era o conceito que tinham de Primavera.

   As luzes de novo se apagaram às tres, mas, essa noite alguns ficaram mais tempo que de costume.

   Somente pelas 4.30h Juan pode comezar a fechar a cobertura.

   Estava passando, de novo, revista aos aparelhos quando o mesmo homem da noite anterior entrou.

    De novo dirigiu-se à mesma garrafa e repetiu todos os movimentos.

 

 

 

 

    Juan pensou que já bastava de armar-se em esperto … olhou na sua direcção:

    --- Vamos a ver … homem de Deus. Não pode o senhor vir a beber um pouco mais cedo? Já ontem me assustou …

    O homem continuou a beber sem demonstrar intenção de responder.

     Isso fez zangar a Juan.

   --- Perdão … falo consigo … não pensa responder-me?

   Interpelado assim num tom tão incisivo o homem parou de beber, ergueu a cabeça … deu meia volta … e olhou frontalmente o vigilante.

   --- Olhe --- respondeu com voz tranquila --- eu sou membro fundador da confraria LOS HERMANOS AUXILIADORES … esta é a minha garrafa … e tenho todo o direito de vir a beber um pouco do meu vinho preferido, à hora que me pareça melhor … se quero intimidade … busco-a … --- bebeu um pouco mais --- e o senhor quem é?

   --- Eu sou o vigilante responsavel pelo local. Poderia dizer-me o seu nome, por favor? Confirmarei na minha lista se, realmente, pode estar aqui.

   --- Muito bem …. o meu nome é Francisco del Prado … pode que nessa lista apareça como Paco Prado.

   De novo lhe virou as costas e continuou bebendo.

   O nervosismo de Juan aumentava … o mais rápido que pode correu com os seus dedos todos os nomes da longa lista … não o encontrou … nem como Francisco … nem como Paco …

   Levantou os olhos e de novo se dirigiu ao homem:

   Olha uma coisa, cavalheiro … … … --- mas o homem já não estava … Juan estava sozinho na caseta.

   De novo confirmou o fecho do toldo para chegar à conclusão … que tudo estava correcto …

   Então … preguntava-se … como entrara e saira aquele homem?!!!...

   Juan nem se dava conta que estava falando sozinho.

   --- Com que temos por aqui um chico esperto … pois vais a ver o que te esperará amanhã … já te direi …

 

 

 

 

 

   Quando voltou ao seu trabalho, Juan levava muitos planos na sua cabeça. Estava preparado para aquele intruso.

    Essa tarde, entre as muitas pessoas que estavam na caseta, encontrava-se aí D.José Villena, presidente da confraria.

    Foi ele quem procurou a Juan.

   --- Hola, Juan. Como vai tudo isto?

   --- Bem, D. José. --- de repente pareceu-lhe boa ideia compartir com aquele, que no fundo era o seu paträo, os acontecimentos das duas ultimas noites.

   O presidente escutou-o com toda a atenção … näo evitou um meio sorriso.

   --- Tens razäo, Juan. Temos um esperto … e com um gosto elitista … não lhe serve um copo de manzanilha, como a qualquer de nós … vai pelo mais fino …

   --- Verdade que si … mas deixa sempre metade no copo.

   --- Ele há cada um … e te disse com o se chamava?

   --- Pois sim … disse-me que se chamava Francisco del Prado, mas que, possivelmente, encontraria o seu nome como Paco Prado. A verdade é que nenhum dos dois nomes faz parte da lista que o senhor me deu.

   A D. José gelou-se-lhe o sorriso.

   --- Desculpa … que nome te deu ele?

   --- Francisco del Prado.

   --- Impossivel.

   --- Não tenho dúvidas, D. José.

   --- Espere aqui.

   O presidente furou pela multidão e dirigiu-se a um canto da parede donde tirou uma foto que estava pendurada.

   Voltou ao pé do vigilante.

   --- Juan … olhe esta fotografia … reconhece alguém?

 

 

 

 

 

 

   Na foto estavam tres homens. Os seus olhos abriram-se quando se deu conta que um deles tinha um casaco curto, um chapés cordovés … e um cravo vermelho no bolso pequeno do casaco.

    --- É este, D. José. Vejo que, afinal, não me mentia … mas … o seu nome não consta da lista que o senhor me deu para confirmar as presenças … vou buscá-la para que veja …

    --- Não … Juan … não vale a pena … --- D. José estava branco e parecia não sentir-se muito bem.

   --- Que lhe passa, D. José ?!!! Sente-se bem? … olhe há aqui uma cadeira livre … sente-se um pouco … quer um copo de água?

   --- Si … por favor …

   --- Afinal que passa? Conhece este homem?

   --- Claro que si, Juan … mas você não vai encontrar o seu nome nessa lista.

   --- E se volta esta noite … que faço?

  --- Não … Juan … Paco não voltará esta noite … nem nunca …

   --- Não compreendo!

   --- Juan … Paco foi, efectivamente, um dos fundadores desta confraria e desta caseta. Há cinco anos, uma noite, depois de fechar isto teve um acidente, a caminho de casa. Só ao dia seguinte soubemos que morrera nesse acidente. Está morto, Juan … não pode vir aqui … não voltará jamais …

   Juan não compreendia … o homem estava morto? Mas isso não tinha sentido … e o copo? Tinha falado com ele …

   --- Desculpe, D. José, com todo o respeito do mundo … mas o homem com quem falei estava perfeitamente vivo.

   --- Juan … impossivel … a não ser que tenhamos um impostor.

   --- E que faço esta noite se ele volta?

   --- Olhe, Juan. Esta noite eu fecharei consigo … se vem ... eu falarei com ele.

 

 

 



    Essa noite, D. José esperou que todos saissem e ajudou Juan a fechar tudo.

    Às cinco da madrugada o homem ainda não tinha aparecido.

    --- Que calor faz aqui, Juan. Porque não levamos duas cadeiras e nos sentamos fora … não poderá entrar sem passar por nós.

    --- Com o senhor diga, D. José.

   Fora, estiveram falando de coisas sem importancia … as horas foram passando … o sol já nascia …

    --- Bem … Juan … parece que esta noite não veio.

    Entrou para buscar o chapeu que deixara dentro.

    --- Juan! Juan! Chegue aqui! Rápido!

   Juan, que se quedara sentado correu para a caseta.

   --- Que passa, D José?

   O presidente, sem articular palavra, apontava com a mão o balcão da caseta.

   Aí, Juan, encontrou um copo meio cheio de vinho.

   --- Esteve aqui! Mas … impossivel … teria que passar por nós …

   Mas o copo não estava só … ao seu lado … já meio seco … estava um cravo vermelho.

 

 

 




       Esta historia é das mais contadas pelas gentes de Sevilla, amantes da Feira de Abril.

      É uma historia recente, de finais dos anos 90 e os intervenientes ainda estäo vivos. Por isso, todos os nomes foram inventados para proteger uma privacidade que, não serei eu, quem a va atentar.

       Deixo-vos o enlace que foi uma das bases para esta minha dramatização, pela mão do meu amigo José Manuel Garcia Batista.



http://revistavocesdelmisterio.wordpress.com/2013/04/18/8402/

 

 

 

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